Algumas falências são ruidosas. Outras, não. Grandes empresas que fecham as portas, além do vazio que deixam nas rotinas e no bolso dos seus ex-funcionários, passam um tempo, por mínimo que seja, nos jornais e revistas.
Depois, vida que segue, dramas e traumas arquivados.
O fim da Bloch Editores, em 2000, não rendeu primeira página. Parodiando o conhecido slogan da revista (“Aconteceu, virou Manchete”), aconteceu, virou silêncio.
E, afinal, quem lê tanta notícia?
Há dois anos, em 2006, um grupo de jornalistas se reuniu no restaurante do Hotel Novo Mundo, a poucos passos da sede da extinta editora, para comemorar uma data que certamente não interessaria a ninguém, a não ser a meia dúzia que então se reencontrava. Quase duas décadas antes, em 17 de março de 1985, lançava-se a Fatos, um quixotesco projeto de uma revista de informação, análise e interesse geral. A publicação não deu certo – foi extinta em um ano e meio por problemas editoriais, operacionais e políticos –, mas deram certo a amizade e o companheirismo que ali se celebravam. E foi na reunião no Novo Mundo, que era uma espécie de ponto de encontro da turma nos anos 1970 e 1980, que nasceu esta coletânea.
A propósito, os autores advertem: este livro não é uma obra acadêmica, nem se documenta aqui, em minúcias, o episódio empresarial.
São vidas, histórias curiosas por trás dos fatos que as páginas das revistas estampavam e relatos dos bastidores de grandes coberturas. Uma ampla visão interna do modo de se fazerem revistas que marcaram a história do jornalismo no Brasil. Sempre do ponto de vista de alguns dos jornalistas que ali viveram grande parte de suas vidas profissionais.
Não há um ex-funcionário da Bloch que, ao passar em frente à antiga sede da Manchete, resista a dar uma olhada na fachada do prédio que já abrigou dezenas de revistas, emissoras de rádio e TV e milhares de profissionais. Porém, nada se vê através das janelas do conjunto de três edifícios projetados por Oscar Niemeyer.
Nestas páginas, o leitor poderá vencer o reflexo e o silêncio da muralha envidraçada do Russell, que sediou a última grande editora de revistas do Rio de Janeiro.




